Quando nós os mortos despertarmos

Estreou no Espaço Cultural Sergio Porto em 1991, seguindo, depois, para o Teatro Nelson Rodrigues.

Quando nós os mortos despertarmos, escrita em 1899, é a última peça de Ibsen. O escultor, Arnold Rubek, enfastiado da rotina e do trabalho, que deixou de ser um desafio, encontra-se casualmente com Irene, a modelo com quem havia trabalhado na grande obra da sua vida.

Agora, a paixão que os ligava se explicita e eles recordam os tempos de juventude, quando o vigor da criação era tão grande que impedia que o artista se voltasse para sentimentos mundanos.

Resolvem, consumar sua paixão no alto de uma montanha, de onde poderiam contemplar “todos os esplendores da terra”. Entretanto uma avalanche de neve os colhe no caminho, impedindo a realização do amor de Rubek e Irene.

Depois de Peer Gynt, sua última peça em versos, Ibsen escreveu em prosa uma longa série de peças, sempre reiterando que sua última peça seria em versos, forma que ele considerava nobre. Depois da estreia de Quando nós os mortos despertarmos cobraram-lhe a prometida peça em versos e ele respondeu que aquela não era sua última peça. Mas, pouco depois, teve um derrame que o deixou imobilizado. Passou seus últimos sete anos assistindo, da janela, a vida que se processava lá fora.

Quando nós os mortos despertarmos não foi escrita em versos, mas o tema e a atmosfera criada pela peça, que dialogava com o simbolismo, fazem desse texto um belo poema em versos livres.

Na encenação, todo o espaço é compreendido como uma instalação dividida em três partes que serão destinadas, cada uma, a um ato da peça. Pelo chão, folhas secas misturadas a páginas amarelecidas de livros unificam a área ocupada simultaneamente pelos personagens e pelo público.

Um rio envolve todos os presentes. Uma longa serpentina de canaletas de resina permite o escoamento da água, cujo ruído pode ser ouvido ao longo de todo o espetáculo.
A música se apresenta em dois níveis: incidental, gravada, quando atua no sentido de criar climas, e ao vivo, quando dialoga com os personagens e com o texto. Um saxofonista funciona como uma figura intermediária entre o público e os personagens.

O tratamento naturalista dado à atuação, em contraste com o espaço abstrato construído pelo cenário, conferia a esse espetáculo uma clara intenção de “jogar” com a distância no tempo, o espaço de quase 90 anos entre a sua escrita e a nossa montagem.

Elenco:

Caco Monteiro
Claudia Ventura
Helena Varvaki
Dudu Sandroni
Noris Barth
Luiz Carlos Persegani

Ficha Técnica:

Autor : Henrik Ibsen
Diretor : Antonio Guedes
Tradução/Adaptação: Fátima Saadi e Karl Erik Schollhammer
Cenógrafa: Amal Saade
Figurinista: Gilson Motta
Música: Rodrigo Chicchelli
Iluminador: Antonio Guedes